quarta-feira, 9 de julho de 2014

Copa do Mundo 2014: O Ritmo de Passes das Seleções Sul-americanas e das Seleções Europeias (Parte 2)

Comparação entre o primeiro e segundo jogo das Seleções Sul-americanas e Europeias apontadas com o objetivo de aferir a interferência dos adversários no ritmo de passes das equipes

Em sequência à análise do ritmo de passes, objetiva-se verificar a mudança gerada na velocidade de transmissão de bola das equipes (passe) em função no cenário construído no confronto com outro adversário. A equipe pode ter a média de ações de passe em função do tempo como produto de fatores já citados no artigo anterior (Parte 1), e também, como consequência da interação com a proposta de jogo do adversário e da estratégia adotada para enfrentá-lo. 

Figura 1 – Dados do primeiro e segundo jogo de Brasil, Argentina e Uruguai

Comparada ao Uruguai, a Argentina teve praticamente o dobro do tempo de posse de bola, posse em relação ao adversário e volume total de passes tendo como resultado uma vitória com apenas 1 gol marcado, enquanto o Uruguai venceu seu jogo com 2 gols marcados. A grande vantagem e o bom índice de aproveitamento de passes impactou mais em questões defensivas para a Seleção Argentina.
As três Seleções tiveram diminuição no ritmo de passes em relação ao tempo de posse de bola, sendo que apenas a Argentina conseguiu aumentar o ritmo de passes em relação ao tempo total de bola em jogo.

Figura 2 – Dados do primeiro e segundo jogo de Colômbia e Equador

Colômbia e Equador aumentaram tanto o ritmo de passes em relação ao tempo de posse de bola, como o ritmo de passes em relação ao tempo total de bola em jogo. O aproveitamento dos passes foi menor do que na primeira partida, porém venceram seus jogos.



Figura 3 – Dados do primeiro e segundo jogo de Alemanha, Itália e Espanha


Alemanha e Espanha aumentaram o ritmo de passes em relação ao tempo de posse de bola e em relação ao tempo total de bola em jogo. A Itália teve seu ritmo diminuído nos dois quesitos. Nenhuma das três seleções venceu suas partidas.

Figura 4 – Dados do primeiro e segundo jogo de Inglaterra, Portugal e Holanda

Com exceção do ritmo de passes em relação ao tempo de posse de bola da Seleção da Holanda, todas as outras médias de ritmo foram aumentadas, ou seja, as Seleções diminuíram o tempo em segundos entre cada ação técnica de passe, aumentaram o tempo de posse de bola relativo aos adversários e por consequência tiveram um maior volume de passes.
Com as tabelas expostas acima, pode-se observar:
1. Seleções com ritmo de passes mais alto, tanto em relação ao tempo de posse, como em relação ao tempo total de bola em jogo, tenderam em geral a uma diminuição, enquanto ritmos mais baixos tenderam em geral a um aumento do ritmo. Esse fato aconteceu na maioria das vezes, reforçando o conceito de que os sistemas (as equipes) tendem a uma regressão à média;
2. A regressão à média parece ter um efeito mais poderoso do que a interferência dos adversários;
3. Ter mais posse de bola em relação ao primeiro jogo quando comparado ao adversário não garantiu necessariamente melhora no resultado da equipe;
4.    O tempo de posse de bola em segundos apresentou uma considerável estabilidade quando os dois jogos foram comparados, mesmo com oscilações no tempo total de bola em jogo.

Referências Bibliográficas

FIFA. Disponível em: http://pt.fifa.com/worldcup/matches/index.html . Acesso em: 23/06/2014.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Copa do Mundo 2014: O Ritmo de Passes das Seleções Sul-americanas e das Seleções Europeias (Parte 1)

Como foi a relação dos passes em função do tempo de bola rolando e do tempo de posse de bola das equipes nos jogos da primeira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo


A transferência da bola (passe <=> recepção/domínio) representa muito da essência de uma equipe de futebol. Do ponto de vista estrutural ou operacional, dá indícios sobre a intenção na ação, conhecimento sobre o jogo, qualidade do processo de treinamento e outros tantos fatores. Como produto dessas variáveis e também alinhado a elas, as equipes manifestam (ou manipulam) um ritmo de passes (média em segundos para se executar uma ação técnica de passe) para chegar ao objetivo primário, a vitória.
Segue abaixo a primeira tabela com os dados das equipes da América do Sul, que foram agrupadas por similaridade nas médias obtidas.


Figura 1 – Dados do primeiro jogo de Brasil, Argentina e Uruguai

As três seleções tiveram um tempo maior de posse de bola do que seus adversários e apresentaram como média do ritmo de passes relativo ao tempo de posse de bola e ritmo de passes relativo ao tempo total valores próximos. O Uruguai realizou em média 1 passe a cada 3,04 segundos no tempo que esteve em posse de bola. O ritmo se manteve alto mesmo com um volume de passes menor que Brasil e Argentina devido ao tempo menor de bola em jogo na sua partida.

 
Figura 2 – Dados do primeiro jogo de Colômbia e Equador

Colômbia e Equador possuem ritmos mais lentos em comparação com as Seleções mais tradicionais da América do Sul, fazendo em média 1 passe a cada 3,66 segundos e 3,98 segundos respectivamente. O ritmo de passes diminui vertiginosamente quando o tempo total de bola em jogo é considerado. Esse dado é resultados obviamente de um menor tempo percentual de posse de bola do que seu adversário, apontando para uma proposta de jogo diferente das três Seleções anteriormente citadas.

Figura 3 – Dados do primeiro jogo de Alemanha, Itália e Espanha

A Seleção com o ritmo de passes mais elevado foi a Espanha. E o ritmo se manteve elevado mesmo considerando o tempo total de bola em jogo em comparação com todas as outras Seleções analisadas.

Figura 4 – Dados do primeiro jogo de Inglaterra, Portugal e Holanda

Essas três Seleções apresentaram um ritmo de passes mais lento em comparação com as outras seleções europeias, porém, a maior diferença foi quando o tempo total de bola em jogo foi considerado. Todas tiveram menor tempo percentual de posse de bola do que seus adversários, o que interferiu no tempo de posse e consequentemente na capacidade de manter um ritmo de ações técnicas (o passe nesse caso) mais elevado.
Após a exposição das tabelas com as informações sobre ritmo de passes das Seleções, constata-se que:
1. Como vem sendo constatado em pesquisas nos últimos anos, o tempo de posse de bola possui pouca relação com o resultado que a equipe conquista no jogo. Dos 8 jogos acima citados, em 3 deles, a equipe com menor tempo de posse de bola venceu a partida, correspondendo a quase metade dos jogos avaliados;
2. Os jogos das Seleções Sul-americanas tiveram em geral, menor tempo de bola em jogo (com exceção da Argentina) do que os jogos das Seleções Europeias;
3. Com exceção da Espanha com 83% de aproveitamento dos passes, todas as Seleções vencedoras tiveram um aproveitamento dos passes realizados igual ou superior a 75%;
4. As Seleções com ritmo mais alto (Espanha – 1 passe a cada 2,94 segundos) e com ritmo mais baixo (Equador – 1 passe a cada 3,98 segundos) saíram derrotadas em seus jogos;
5. A Seleção espanhola continua tendo um ritmo alto de passes e recuperando a bola mais rápido que a média das equipes (isso fica claro com o maior volume de passes entre todas as Seleções apontadas e o ritmo mais elevado mesmo considerando o tempo total de bola em jogo), porém, sua capacidade de transformar essas características em efetividade está comprometida;
6. A média do ritmo não considera o tipo de passe (curto, médio ou longo, por exemplo), mas acaba expressando como a equipe sustenta a posse de bola e como constrói seu caminho até o gol;
7. Como a média do ritmo considera apenas a ação técnica do passe, um ritmo mais lento de passes pode ser resultado de equipes que realizam mais vezes outras ações técnicas como condução, cruzamentos e passes mais longos (por consequência com um tempo maior de trajetória), por exemplo. Com isso, a aparente “lentidão” pode sim ser resultado de um tempo maior para a tomada de decisões e imobilidade da equipe, mas não é necessariamente apenas isso.

Referências Bibliográficas

FIFA. Disponível em: http://pt.fifa.com/worldcup/matches/index.html . Acesso em: 23/06/2014.